Dia de Todos os Santos

Prezados amigos,

Duas celebrações deste mês de novembro, intimamente interligadas, nos recordam a vocação comum de todo o povo de Deus, isto é, após as tribulações da vida presente, viver para sempre as alegrias para as quais fomos criados. Esta vocação, que começa a realizar-se no tempo, será plena na eternidade. Essas celebrações são a Solenidade de Todos os Santos e a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos.

O Livro do Apocalipse nos fala de uma multidão imensa de gente de todas as nações, tribos, povos e línguas, e que ninguém podia contar … trajavam vestes brancas e traziam palmas na mão … e adoravam a Deus (cf. Ap 7). Esses são os santos, os que têm a visão de Deus. Não são apenas os canonizados, aqueles formalmente declarados pela Igreja, mas todos os que “lavaram e alvejaram as suas roupas no sangue do Cordeiro” (Ibid.). São aqueles que, com o auxílio da graça, souberam ser fiéis nas circunstâncias comuns da vida. Homens e mulheres, jovens e velhos, solteiros e casados, leigos e consagrados, enfim, pessoas de todas as condições e de todos os tempos são chamadas a participar da vida divina. A vocação à santidade está na própria natureza do povo de Deus. Já no livro do Levítico se lê: “Sede santos porque eu sou santo” (Lv 11.44).

“A Igreja aumenta, cresce e se desenvolve pela santidade de seus fiéis, até que ‘alcancemos todos nós o estado de homem perfeito, a medida da estatura da plenitude de Cristo’” (CIC 2045). Um só corpo é a Igreja, mas formada por três realidades: os que já têm a visão de Deus, os defuntos que necessitam de purificação e os que caminham neste mundo. Três realidades distintas, mas unidas em Cristo e por Cristo. É uma unidade sobrenatural, é a comunhão dos santos. Nela existe “entre os fiéis já admitidos na posse da pátria celeste, os que expiam as faltas no purgatório e os que ainda peregrinam na terra, um laço de caridade e um amplo intercâmbio de todos os bens” (Paulo VI, ID 5).

Vivamos com alegria nossas vocações pessoais, na esperança de um dia sermos santos como o Senhor é santo.

A todos meu abraço e minha bênção.

Monsenhor Helio Pacheco Filho